PEQUENOS CONTEMPORÂNEOS

O projeto “Pequenos Contemporâneos” convida artistas de diversos estilos para fazerem releituras de clássicos musicais tendo como foco o público infantil.

O projeto Pequenos Contemporâneos, prevê a realização de uma série de shows, com diferentes artistas e estilos, dedicados às crianças. Shows inteligentes que agradam aos pequenos pela ludicidade e sagacidade; música de qualidade que apetece também aos adultos que partilham com os pequenos suas vidas. Trabalhos que versam direta ou indiretamente sobre as relações entre o universo adulto e infantil, que fomentam trocas entre pessoas em diferentes fases da vida, fases essas que se retroalimentam, se complementam e carentes de iniciativas culturais capazes de uni-las em um mesmo ato fruitivo-afetivo. Trabalhos artísticos infantis de gente grande: infantis, mas não infantiloides. 

 

Desde de sua concepção o projeto já recebeu oito atrações, três delas já existentes e seis shows concebidos especialmente para o Pequenos Contemporâneos. As atrações foram: Tum Pá (Barbatuques), Pequeno Cidadão, e Kleiton e Kledir e o Grupo Tholl com o show Par ou Impar. Os shows interpretados e rearranjados foram os clássicos Saltimbancos (Chico Buarque), Arca de Noé (Vinicius de Morais), Quero Passear (Grupo Rumo), clássicos do Trem da Alegria, o disco Plunct Plact Zum! e a trilha sonora de O Sítio do Pica Pau Amarelo. O primeiro pelo grupo Bixiga 70 e cantores convidados, o segundo por André Abujanra e músicos convidados, o terceiro pela cantora Tulipa Ruiz, Trem da Alegria interpretado pelo cantor e compositor Lucas Santtana, a banda Cidadão Instigado revisitando o álbum Plunct Plact Zum! e BNegão & Seletores de Frequência dando vida a trilha sonora de O Sítio do Pica Pau Amarelo.

 

Não é novidade que estamos em um mundo onde a facilidade de produção e circulação de trabalhos musicais é tão maior que no mundo de outrora, tendo em vista as nossas novas possibilidades tecnológicas. Também sabemos que temos cada vez mais estilos musicais convivendo simultaneamente e maiores possibilidades de fruição de músicas de diferentes lugares, tendo em vista a translocalidade contemporânea do mercado musical (afinal de contas podemos conhecer novos produtores, artistas e estilos musicais de diferentes lugares a partir de nossos computadores, celulares, tablets conectados à internet, e assim diversificar nosso consumo e pluralizar nossas referências).

Frente a isso, chega a ser no mínimo estranha a constatação da dificuldade em encontrar produções musicais diversas e de qualidade voltadas para as crianças (também ou exclusivamente) e em circulação no mercado musical nacional. Adultos com vozes infantilizadas e arranjos musicais simplistas, nada audazes ou criativos, ainda integram um modus operandi de fazer música para crianças, como se estas pessoas, as crianças, subestimadas, fossem seres humanos incompletos e, portanto, fadados a ouvir uma música “menor”. E, pobres dos pais que, por vezes com poucas opções, acabam por vivenciar as experiências musicais infantiloides de seus filhos, que mais os distanciam destes que promovem situações onde pais e filhos podem compartilhar um mesmo trabalho artístico, cada um ao seu modo.

É claro que, ao longo dos tempos, várias exceções à indústria musical massiva despontaram, escapando de diferentes formas e graus de suas práticas predominantes. Alguns acabam descambando para uma ditadura do “didatismo” sobre o lúdico e o poético, como se os primeiros fossem prioridade sobre os demais e como se a brincadeira e a poesia não propiciassem formas de experienciar o mundo e, consequentemente, levassem ao aprendizado – aprendizado este que, muitas vezes, nenhum processo didático poderia substituir.

 

O projeto Pequenos Contemporâneos tem por objetivo levar ao público parte da nova produção cultural brasileira, pesquisas musicais de qualidade, de artistas brasileiros “de peso”, relacionadas ao universo infantil. Shows que podem ser apreciados tanto por adultos quanto por crianças, propiciando momentos de compartilhamento entre estes e atendendo seus diferentes interesses. A intenção é incluir o público infantil e seus responsáveis – carentes de ações culturais que os atendam – na grade programática dos principais centros culturais brasileiros, democratizando assim o acesso à cultura para estes pequenos cidadãos. E, em última instância, incentivar novas pesquisas e produções relacionadas aos “pequenos brasileiros”, tendo em vista a carência destes no mercado musical brasileiro.

 

ATRAÇÕES